sábado, 27 de outubro de 2012

Woody Allen - On being funny

Os trechos abaixo foram retirados de uma edição de 1975 do livro On being funny, de Eric Lax. Fala-se de todos os filmes feitos por ele até então, ainda antes de ter ganho o Oscar (e o respeito de muitos) com Annie Hall. Há algumas revelações interessantes, como o fato de ter considerado Brasília como cenário da comédia futurista dos anos 70 Sleeper.


1975
Eu faço filmes porque eu tenho uma compulsão por fazê-los. Simplesmente tenho que fazê-los, não sei por quê.


Não há dúvida de que comédia é mais difícil de fazer do que coisas sérias. E não há dúvida na minha cabeça de que comédia é menos valiosa que coisas sérias. Tem menos impacto também, e acho que por uma boa razão. Quando a comédia aborda um problema, brinca com ele, mas não o resolve. O drama já o trabalha de uma forma mais satisfatória. Não quero soar áspero, mas há algo de imaturo, algo de inferior em termos de satisfação quando comparada ao drama. E  será sempre assim.


Não acredito que um homem da minha inteligência tem que caminhar engraçado para fazer as pessoas rirem.

Escrever pode ser muito difícil. Há horas em que escritores fazem qualquer coisa para evitar escreverem – pegar um trabalho como diretor ou ator, por exemplo.


(Sobre achar uma locação para o filme Sleeper)
O problema de achar uma locação adequada parecia interminável. Woody  não queria construir cenários exceto quando absolutamente necessário, então eram necessárias enormes operações logísticas para deslocar o elenco e a equipe por quase toda Califórnia e boa parte do Colorado. Embora tivessem a chegado a pensar seriamente em filmar em Brasília, o projeto foi abortado por causa das despesas e dos costumeiros problemas de se filmar no Brasil.


(Antes de filmar Annie Hall)
Eu queria fazer uma comédia mais profunda. Eu queria fazer um filme mais humano – comédia mas com gente de verdade. Não sobre um cara que acorda no futuro, ou um cara que é um ladrão de bancos, ou um cara que toma um país latino-americano. Eu queria fazer um em que eu pudesse fazer o papel de mim mesmo, Diane [Kteaton] pudesse fazer o papel dela mesma, vivendo em Nova Iorque. Conflito, mas verdadeiro, ao contrário de uma ideia mirabolante demais.



(Antes de ganhar o Oscar) 
Há duas coisas que me incomodam sobre prêmios. Eles são políticos e comprados e negociados, e a concepção toda de um prêmio é tola. Eu não posso acatar o julgamento dos outros, pois se você aceitar quando dizem que você merece um prêmio, então também vai ter que aceitar quando dizem que não merece. Você se coloca nas mãos deles no momento em que é julgado, e você fica lisonjeado, e no ano seguinte eles dizem “Não, você não vai ganhar, quem vai Ganhar é o Steve McQueen” – e você sabe que estava ótimo. A coisa toda vai contra tudo pelo qual trabalhou na vida.




Eu faço o papel de mim mesmo. Eu não poderia fazer o papel de Romeu ou de Michael Corleone no Poderoso Chefão.






Nenhum comentário:

Postar um comentário