Johnny: They’re coming to get you, Barbara.
sexta-feira, 30 de julho de 2010
Frases de Filmes - A Noite dos Mortos Vivos
quarta-feira, 21 de julho de 2010
Livros X Filmes
Já é uma coisa batida demais ficar fazendo comparações entre livros e suas respectivas versões cinematográficas. Mas tudo bem, eu gosto. Raríssimas vezes li o livro depois de ver o filme. Após algumas experiências ruins, hoje em dia prefiro ler a obra original antes de ver o que Hollywood fez com ela. Nunca fiz uma comparação direta entre todos os filmes baseados em livros que vi, mas tenho a sensação de que, em geral, a versão escrita se sai melhor que a filmada. Bom, mas pode se agora, comecemos por um clássico.
Laranja Mecânica.
98,7% das pessoas que cultuam este filme do Stanley Kubrick não leram o livro de Anthony Burgess. Nem deveriam. A linguagem ousada, a originalidade, a estética que tanto agrada aos cults só se vê no filme mesmo. Tem alguns espertos posando de ultra-cults que você vê por aí dizendo que “o livro é bem melhor que o filme”, que “o Kubrick não captou a essência do livro”, BULLSHIT. Burgess seria um anônimo até hoje não fosse pelo filme do Kubrick.
A insustentável leveza do ser
No b
est-seller de Milan Kundera, a ação se passa quase toda na cabeça dos personagens. E é justamente isso o que mais importa na narrativa. No filme, isso se perde completamente, e só vemos personagens tolos, sem motivações verossímeis, numa trama tediosa.
Quem vence: Livro
O perfume
Por anos anunciou-se a versão cinematográfica da obra do alemão Patrick Süskind e confesso que, como havia gostado bastante do livro, não estava ansioso para ver a história transposta para a tela grande. Para minha surpresa, o filme é uma das melhores adaptações cinematográficas de que se tem notícia. Preservou-se a força das cenas e subtraiu-se tudo aquilo que funciona em palavras mas que só atrapalharia o ritmo no filme.
Quem vence: Empate
O Grande Gatsby
Sinceramente, acho esse um dos livros mais superestimados de todos os tempos. Arrastado e chato, consegue ser pior do que o filme (1974), que também não é lá e
ssas coisas.
Quem vence: Filme
Breve romance de um sonho
Mais uma vez, Stanley Kubrick pega uma obra mais ou menos e transforma em um grande filme. Deste livr
o de Arthur Schnitzler, fez Eyes Wide Shut (DE olhos bem fechados), em que adaptou toda a ação para a Nova York dos dias de hoje e mesmo assim não só manteve o espírito do livro como acrescentou (junto com o roteirista Frederic Raphael) vários outros elementos tanto para a trama como para a linguagem.
Quem vence: Filme
Budapeste
O livro é bom, provavelmente o melhor de Chico Buarque. O filme, apesar da sua excelente fotografia e de ser tecnicamente bem feito, não conseguiu traduzir o livro. E o pior é que tentou. Ficou um desastre absoluto. Entre outras coisas, o livro fala sobre palavras, línguas, comunicação e é bem diferente falar sobre palavars escrevendo e com sons e imagens e aí a ideia se perdeu definitivamente num filme pedante, arrogante e, acima de tudo, confuso.
Quem vence: Livro
Quando Nietzsche chorou
Aqui a briga é dura, pois os dois são muito ruins. Mas o livro, graças às atuações mais toscas da história, além de uma direção de arte que leva uma surra de qualquer novela do SBT, perde a briga.
Placar até agora:
Filme: 3 vitórias
Livro: 3 vitórias
Empate: 1
terça-feira, 22 de junho de 2010
Legião do Mal
Mas talvez Legião do Mal seja bom justamente porque prescinde dos zumbis. A história já se sustenta sem a presença dessas criaturas, e apenas melhora com elas. Tem personagens que, se não são profundos, também não são estereotipados como em todo filme de ação, atuações convincentes e uma atmosfera pesada e claustrofóbica que não se perde na edição ágil das imagens. Além disso, algumas cenas são verdadeiras pinturas, como as que capturei abaixo.
domingo, 13 de junho de 2010
Futebol e Literatura - Itinerário da Derrota
Pelé (Artes & Ofícios, 1992), de Ruy Carlos Ostermann. O livro é uma compilação de colunas publicadas nos jornais gaúchos Correio do Povo e Zero Hora, cobrindo 20 anos de Copas do Mundo.
Itinerário da Derrota já começa bem pela própria ideia do livro, que foge dos chavões esportivos e do puxa-saquismo nacionalista. A capa ja diz bastante: um homem com a camisa da seleção brasileira exibe o número zero estampado às suas costas. É a quantidade de vezes que o Brasil havia vencido um campeonato mundial desde a saída de Pelé (sua última participação foi na Copa de 70, no México) até a de 1990, na Itália. Assim, sai a exaltação dos vencedores e entra a reflexão contida dos perdedores. Saem os vitoriosos com seu olhar de altiva soberba e entram aqueles que ficam para trás, juntando o que sobrou da festa.
Trechos do livro:
Correio do Povo 8 de outubro de 1972
O futuro do futebol sem Pelé é o advento de uma era mecanicista, de repetições periódicas, de estereótipos, de planícies de uniformidade, vastidões de mesmices. Será o surgimento do jogador comum, todos bons e aplicados, compenetrados cumpridores das tarefas de campo. Mas nenhum brilho demasiado, qualquer fulguração, despropósito, loucura ou invenção. Apenas o brilho certo do jogo bem realizado, no acordo do modelo e do estabelecido. A emoção nos estádios será mais contida, seremos mais quietos e não haverá o encanto e o fascínio da identificação: o torcedor vai ficar distante, esfriado, vendo homens comuns errando, acertando a custo, se esforçando pelo pouco e pela má gratificação da bola, assim como ele passa a semana.
Correio do Povo 12 de julho de 1977
De repente, levantaram-se muitos, apanharam as máquinas fotográficas, as folhas de papel, eu pus o braço no ombro do Chico de Assis, da Bandeirantes, e disse: vamos. Foi quando um velho fotógrafo deu um grito com o garoto:
- Levanta daí, moleque, chegou a seleção.
Podia ser brincadeira, mas não era. O velho profissional estava paramentado, rijo, enérgico nas suas pernas finas, e foi categórico na segunda frase:
- Seleção é coisa importante, seu!
E saiu resmungando pelo túnel.
O garoto abriu bem os olhos, fez uff, e também seguiu pelo mesmo túnel em que seguiam todos. Ao menos eu e o Chico, me lembro, sorríamos. Os demais estavam diante da seleção como uma condecoração no peito. O garoto é que fazia mais: ele suspirava.
Zero Hora 5 de maio de 1982
Aqui trechos das colunas publicadas antes e após a inesquecível e traumática derrota para a Itália por 3X2:
Zero Hora 3 de julho de 1982
O Brasil, mais
uma vez, deu uma demonstração de que nesta Copa da Espanha, ninguém é melhor e ninguém pode vencê-lo.
Zero Hora 4 de julho de 1982
Faltam três jogos para o Brasil ser campeão. Não tenho mais dúvida alguma depois de ver com atenção a todos os pretendentes: o Brasil só pode perder para si mesmo. A diferença é muito grande.
Zero Hora 6 de julho de 1982
Faltou à seleção mais do que humildade no pequeno Estádio Sarriá. Faltou, digamos, malícia. Não sei como escolher as melhores palavras. Estou cansado e triste. Mas talvez também não esteja arrependido. A seleção pode ser odiada hoje, mas eu a amei fervorosamente. E como eu, todos vocês. Por que transformar este cálido amor de todos nós no ódio ressentido desta noite?
O que sei é que a Copa do Mundo perdeu seu mais autêntico time de futebol. O melhor time de futebol que não soube ganhar um jogo contra a Itália.
Após a derrota para a França, na Copa de 86:
Zero Hora 22 de junho de 1986
(Essa vitória da França me faz muito mal. Muito mal. Sei melhor do que muitos que o futebol foi exaltado, que houve uma celebração dele a cada jogada e desfecho. Mas sou brasileiro e me vergo com dores pelo corpo.
A verdade do futebol é uma lixa, um pedaço de pau, e fala francês ao meu ouvido como se eu fosse um preso político e quisessem a minha confissão. Nada tenho a confessar senão que fui vencido com a nossa seleção. Helas.)
Estive sentado no mercado público dessa cidade. Mesas simples com toalhas de plástico, uma senhora gorda que sorri para mim e pergunta se quero comer. São três horas da tarde, estou sozinho, um pouco triste. Sim, quero comer. A senhora sorri satisfeita. Ela tem panelas de alumínio muito grandes sentadas em cima da chama de gás. Espicho o pescoço, olho para dentro de uma delas. Pozole? Pergunto. Sim, era pozole, um sopão de milho que ferve e apetece.
(...) Vou sair à rua agora, vou sentar na praça. Esse sentimento do jogo eu quero gozar numa solidão indispensável. Os tapatios, terra da minha solidão, gostam das praças, sentam nelas para nada, apenas pelo prazer de serem vistos. Eu nesse banco fico quieto e me revejo continuadamente como um assistente do que sempre vi e só aos poucos vou decifrando em mim mesmo.
Depois de ser eliminado pela Argentina, na Copa da Itália:
Zero Hora 26 de junho de 1990
Há calças, sapatos e meias. Cabelos penteados e conversação miúda. Não se grita mais, não se canta nem se toca tamborim. As bandeiras estão enroladas, sujas e abandonadas. A passagem de avião, o bilhete do trem, o recibo do carro alugado substituem a entrada para o estádio. Cem dólares? Qualquer coisa. Não existe mais pasta, procciuto, latte, capuccino, fragola, corso, via, parco, arrosto, pomodoro, nada mais. Feijão, arroz, filé com fritas, este é o único futuro confiável no bairro em que sempre se viveu. Mamma, não. Mãe. Isso: mãe. Nada mais vai existir. O futebol morreu, nunca mais. Será devorado pelos vermes. Vai desaparecer debaixo da grama. Nunca mais se saberá como foram aqueles dias. Muito menos que Turim algum dia existiu, foi bela, reveladora, cheia de arcadas dos príncipes, de parques que se chamavam Valentino, jardins, mulheres e homens orgulhosos nas sorveterias e nas livrarias sofisticadas. Tudo já desapareceu. As insistentes camisas amarelas com o número dez são agora camisas como todo mundo usa.
O que já disseram:
Armando Nogueira
Pouca gente no esporte usa a faculdade de pensar com a lucidez e o equilíbrio que distinguem a obra do jornalista e escritor Ruy Carlos Ostermann.
Nesse momento, está nascendo o livro dele. Tive o privilégio de ler os originais e confesso que saí da leitura tocado de lirismo, de bom-humor, de saudade; tocado, enfim, de todas as emoções que tanto enriquecem o universo do esporte no qual Ruy aprendeu e tem transmitido valiosas lições de vida.
Tabajara Ruas
Ruy Carlos Ostermann foi e é o maior cronista esportivo brasileiro não só por saber ver com agudez e isenção. E nem pela curva da frase, pelo topázio da palavra acariciada, pela concisão ou pelo delírio, mas pela qualidade de seu cotidiano exercício de estética e ética.
Ricardo Russo
Este cronista não é apenas um escrevinhador de futebol. Dizem que, às vezes, usa o esporte como meio. Se, depois da derrota doída para a França, o amigo procurar uma crônica redentora, falando de táticas e erros técnicos, encontrará um professor distraído entre comidas, viagens ou plantas. É uma maneira de encarar a dor. Portanto, não espere um livro comum, nem poderia sê-lo.
sábado, 5 de junho de 2010
Parecem, mas não são (2)
Agoro publico aqui o trabalho da americana Alexa Meade. Embora suas obras também causem uma impressão errada à primeira vista, o que ela faz é um pouco mais difícil de definir. Ela usa tinta acrílica mas não usa telas e sim superfícies tridimensionais. E superfícies tridimensionais vivas. Ok, se for por isso até as mulheres no Carnaval brasileiro também são telas vivas ambulantes. Bom, o melhor é ver o que ela faz. Abaixo, alguns de seus trabalhos.





quinta-feira, 3 de junho de 2010
Colheita Natural
Na primeira vez que encontrei este livro de receitas na internet, fui checar a fonte, pois pensei que podia ser um trote. Mas, acredite, não é. Não vou comentar nada, apenas colocarei alguns trechos que traduzi do polêmico Natural Harvest, ainda não lançado no Brasil.
A primeira frase do livro:
Este livro de receitas é para comensais que deram seu consentimento. Por favor não adicione sêmen à comida de seus convidados sem informá-los previamente.
O que diz na contracapa:
O sêmen não somente é nutritivo como também tem uma ótima textura e incríveis propriedades culinárias. Como os bons queijos e vinhos, o sabor do sêmen é complexo e dinâmico. A produção do sêmen não é cara e é comumente encontrado em muitos, se não a maioria, dos lares e restaurantes. Apesar dessas qualidades positivas, o sêmen permanece negligenciado como alimento. Este livro espera mudar esse quadro. Uma vez que você tenha superado a hesitação inicial, você vai se surpreender com quão maravilhoso o sêmen pode ser na cozinha. Se você adora cozinhar e não tem medo de experimentar novos ingredientes, vai amar este livro de receitas!
domingo, 23 de maio de 2010
Frases de Filmes - O Exorcista
Quem vê filmes mais antigos, dos anos 60para baixo, e principalmente dos 50, nota como os filmes mudaram daqueles tempos para agora. Claro, houve mil mudanças tecnológicas e de linguagem, que acabam se impondo principalmente no ritmo. Mas algo que sempre me chama a atenção é o texto, ou seja, os diálogos. Os roteiristas eram bem mais preocupados com frases de efeito e às vezes soavam literários demais, mesmo que as falas ficassem inverossímeis.
Não é à toa que os roteiristas estão entre os profissionais mais bem pagos de Hollywood, embora pouca gente lembre o nome de algum (o nome de Charlie Kaufman acabou de aparecer na minha mente). Há uns dois anos Diablo Cody ganhou o Oscar pelo roteiro de Juno, onde coloca na boca dos personagens frases mais longas que o normal, recheadas de referências à cultura pop e repletas de neologismos moderninhos. Bom, poderia falar ainda de outros, como Woody Allen, cuja marca principal são os textos, nem sempre diálogos. Sonhos de um sedutor (Play it again, Sam), por exemplo, é um raro filme com roteiro dele e que ele não dirige. Mesmo assim, graças ao roteiro, o filme parece muito com um filme de Woody Allen tradicional.
São poucos os roteiros que podem ser lidos como literatura, sem ser maçantes. Por isso, sempre gosto de encontrar frases interessantes ou emblemáticas em filmes. Alguns exemplos abaixo:
Do filme O Exorcista:
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we really don’t know. But her symptoms could be overreaction to depression. That’s out of my field.

