quinta-feira, 31 de julho de 2014

Pôsteres Poloneses (IV)

Aqui mais uma amostra do trabalho de artistas plásticos poloneses em cartazes de filmes americanos.
Coloco o pôster original para comparação.

De volta para o futuro




Os aventureiros do bairro proibido



O grande ditador


Viagem insólita




MASH



Os caçadores da arca perdida






Os intocáveis




Raízes da ambição



Três mulheres, três amores





Entre dois amores





A volta da pantera cor-de-rosa




Os profissionais


 Zorba o grego



Apertem os cintos, o piloto sumiu




Alice não mora mais aqui



Dirty dancing















quinta-feira, 22 de maio de 2014

Entradas e Bandeiras - Fernando Gabeira

Fernando Gabeira, depois que voltou do exílio na Europa, escreveu uma trilogia muito bacana, onde repensou o movimento guerrilheiro do qual fez parte e questionou o que seria dos seus participantes dali pra frente, em vista da abertura democrática do Brasil no inicio dos anos 1980, alem de revisitar a sua própria biografia. O primeiro foi o famoso O que é isso companheiro?, depois segui-se O crepúsculo do macho e por fim Entradas & Bandeiras. Deste último, tiramos dois trechos:


Nesses trilhos em que agora andamos juntos, queria encontrar Jerônimo. E explico por quê. Jerônimo era
motorista de um velho caminha Chevrolet que uma noite entrou pelo nosso quarto adentro. Ele perdeu a
direção na esquina da Vitorino Braga com Garibaldi;arrebentou a parede, deu marcha-ré e fugiu. Eu acabara de me masturbar pensando em minha avó. Os padres alemães da Igreja de São Sebastião me faziam rezar 20 ave-marias.

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O aeroporto ficava perto, relativamente. E no dia seguinte estava em Porto Alegre já quase no extremo sul.
Passo o primeiro dia em Porto Alegre concedendo entrevistas 'a imprensa. 
Uma das entrevistas concedi durante o almoço no restaurante macrobiótico da cidade. Era sobre o meu livro e atécnica do meu livro. Estava justamente tentando ampliá-la e refletir sobre a literatura e a vida. O repórter fumava e eu falava incessantemente. A mesa central do restaurante era destinada 'a direção da Sociedade Macrobiótica.
Havia um enorme cartaz indicando isto e os velhos nos olhavam com uma expressão severa. Um deles dirigiu-se a nós  e disse ao repórter que era proibido fumar e a mim que falava muito, enquanto comia. Reduzi o ritmo, mas foi difícil engolir aquela refeição macrobiótica, sentindo aqueles velhos olhando, atentamente, para meus lábios para ver se mastigava as 50 vezes necessárias. Tenho uma incrível capacidade de atrair patrulhas.

sexta-feira, 18 de abril de 2014

Entrevista de Playboy - Gabriel García Márquez

Trechos de entrevista de Gabriel García Márquez em1983

Cem anos de Solidão será transformado em filme, como se afirma?
Jamais. Os produtores me ofereceram enormes quantias pelos direitos, mas eu recuso. A última oferta, acredito, foi de 2 milhões de dólares. Não quero vê-lo transformado em filme porque quero que os leitores continuem imaginando os personagens da forma como eles os vêem, imaginam. Isso não é possível no cinema. No cinema a imagem é tão definitiva que o espectador não pode mais imaginar o personagem como deseja, mas sim como a imagem impõe.

Uma cena memorável de Cem Anos é a do padre que levita quando bebe chocolate quente. Como é que você teve essa ideia?

Bem, havia um padre em Aracataca de quem se dizia que era tão santo que se elevava do chão quando levantava o cálice durante a missa. Quando escrevo sobre aquele episódio, ele não me pareceu acreditável. Ora, se eu não acreditar em algo, o leitor também não acreditará. De forma que decidi ver como ficaria com outros vasos e líquidos. Bem, ele começou a beber todo tipo de coisa, e nada funcionava. Finalmente fiz ele beber Coca-Cola, e me pareceu a bebida perfeita! Contudo, eu não queria fazer propaganda gratuita da Coca-Cola, de forma que dei ao padre chocolate quente, o que também pareceu acreditável. Se eu fosse adiante com a Coca-Cola, iríamos ver grandes outdoors na América Latina dizendo: SUBA AOS ARES COM COCA-COLA!

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Pôsteres Poloneses - parte 3

Dando continuidade a serie de pôsteres poloneses de filmes.
Fico impressionado que estes posteres não sejam mais conhecidos. O trabalho de artistas como Walkuski
Pagowski e Wasilewski e' incrível. E a comparação com os originais torna tudo ainda mais maravilhoso. Primeiro, a versão americana, abaixo, a polonesa.

Clique la embaixo na tag Posteres poloneses para ver os outros posts.

Apocalypse Now




Atraiçoados

Blow-up


Dias do Condor


O império contra ataca


De olhos bem fechados


Greystoke , a lenda de Tarzan


Kill Bill


O ultimo imperador




Moby Dick




Neblinas e sombras




segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

A misteriosa chama da Rainha Loana

No romance A misteriosa chama da Rainha Loana, do italiano Umberto Eco, temos Yambo, um negociador de livros raros, que acorda no hospital sem memória depois de um derrame. Não reconhece sua mulher, seus filhos, nada. O detalhe é que se lembra de tudo o que leu, suas memórias são apenas literárias.

Poderia falar mais sobre o livro, mas, como sempre, não me aventuro pela crítica, e só colocarei um trecho da obra. É um trecho um tanto atípico de Eco. Veremos:

Levantei-me e olhei minhas fezes. Uma bela arquitetura em caracol ainda fumegante. Borromini. Devia estar com o intestino em forma, pois todo mundo sabe que só devemos nos preocupar se as fezes estão moles demais ou mesmo líquidas.

Pela primeira vez via o meu cocô (na cidade você se senta na privada e depois puxa logo a descarga sem olhar). Agora eu já o chamava de cocô, creio que é assim que as pessoas chamam. O cocô é a coisa mais pessoal e reservada que temos. O resto todos podem conhecer, a expressão do rosto, o olhar, os gestos. Mesmo o corpo nu, na praia, no médico, quando se faz amor. Até os pensamentos, porque em geral são expressos, ou adivinhados pelos outros através da maneira como você olha ou se mostra embaraçado. Claro, há também os pensamentos secretos (Sibilla, por exemplo, mas seja como for eu me traí, em parte, com Gianni e quem sabe ela não intuiu alguma coisa, quem sabe não está se casando por isso mesmo), mas em geral até os pensamentos se manifestam.


O cocô, ao contrário, não. Salvo um brevíssimo período de sua vida, quando a mamãe troca as suas fraldas, ele é só seu. E como o meu cocô daquele momento não devia ser tão diferente daquele que produzi no decorrer de minha vida pregressa, eis que naquele momento eu me reconectava com o eu mesmo dos tempos esquecidos e vivia a primeira experiência capaz de reunir com as inúmeras outras precedentes, mesmo aquelas dos tempos de menino, quando fazia minhas necessidades nas vinhas.

Talvez se olhasse bem em torno encontrasse ainda os restos dos cocôs feitos então e, triangulando da forma correta, o tesouro de Clarabela.

Mas parava por aqui. O cocô ainda não era minha infusão de tília – e bem que eu gostaria de ver: como pretendia levar adiante a minha recherche com o esfíncter? Para reencontrar o tempo perdido, se precisa é da asma, não da diarreia. A asma é pneumática, é sopro (mesmo dificultoso) do espírito: é para os ricos que podem se permitir quartos atapetados de cortiça. Os pobres, nos campos, não seguem com a alma, seguem com o corpo.


E no entanto, não me sentia deserdado mas contente, quero dizer, estava realmente feliz, de modo nunca experimentado depois do despertar. Os caminhos do Senhor são infinitos, disse a mim mesmo, passam até mesmo pelo buraco do traseiro.

sábado, 5 de outubro de 2013

Agualusa

Já reparaste que os melhores escritores angolanos são brancos ou mestiços, os melhores escritores sul-africanos são bóeres, os melhores escritores do mundo são judeus?

Há urgência naquilo que eles escrevem. Eles sofrem, estão doentes. Escrevem porque precisam saber quem são.



Do livro Estação das Chuvas, de José Eduardo Agualusa.

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Top Ten bandas Japonesas

Pra decidir o primeiro lugar, não foi muito difícil: Spitz (ou スピッツ), uma banda com mais de 20 anos de existência e ultra respeitada na Japão. O som deles poderia ser definido como um pop-rock simples, mas se destacam de outras bandas pelas melodias e refrões que pegam sem soarem comerciais. O difícil foi escolher a música para representar aqui, pois todas canções deles são hits.

 2- Shiina Ringo - Honnou. Uma das mais espetaculares cantoras da história do Japão. Compõe música, escreve, toca, além de ser uma grande performer. Sua música passa por influências de jazz, rock, punk, pop. Camaleoa, se apresenta sempre de forma diferente, às vezes com o estilo sofisticado de uma Audrey Hepburn asiática, outras como uma pós-punk, mas sempre com sua marca pessoal até no estilo de cantar (é conhecida por estender os erres). Se não bastasse tudo isso, é linda. 3- Tokyo Jihen - Marounochi sadistic.
É a banda de Shiina Ringo, quando não está em carreira solo 4- Che-A - Pandora. Eu já tinha fechado esse top ten quando, na última hora, descobri Che-a. Um trio de garotas, apenas de baixo, piano e bateria. A ausência de guitarra e a preponderância do baixo e piano poderiam simplificar o som, mas o torna ainda mais poderoso. Elas fazem um jazz rock moderno, com o toque japonês, claro. Infelizmente só encontrei 3 músicas do grupo (uma melhor do que a outra), e soube que a banda não existe mais. 5- Asian Kung-fu Generation - Haruka Kanata. Rock japonês do bom. 6- Chara - やさしい気持ち. A voz da cantora e atriz Chara é inconfundível, caracterizada pelos sussurros alternando com agudos poderosos. O som é um pop alternativo, com pitadas de eletrônico

  7- Stereopony - Hitohira no hanabira. Um amigo canadense fã de anime que me apresentou essa banda de rock japonesa inteiramente formada por garotas

8- Yui - Again.

  9- Fripside - Decade. Fripside é outra banda conhecida por trilhas de anime. Faz um rock-pop-eletrônico com vocais femininos. Seus clips sempre são doidos.

  10- 9mm Parabellum Bullet – Living dying message. Um amigo japonês guitarrista me apresentou essa outra boa banda de rock japonesa Bonus track Não dá pra ser introduzido no mundo da música japonesa (se é que esse é o seu caso) sem conhecer aquela que é a mais arrebatadora banda de J-pop atual, que já influenciou outros grupos e cópias até na Coreia. É AKB48, um grupo formado por 48 jovens garotas. Seus clipes são mega produções em que, muitas vezes, aparecem apenas de bikini ou lingerie. Todo fã tem uma favorita. A minha é Yuko Oshima. AKB48 - ギンガムチェック