quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Millôr, sobre a Reforma Ortográfica

Millôr Fernandes se foi, não sem antes ter deixado seu pitaco sobre a reforma ortográfica, obrigatória desde janeiro de 2012.




Ninguém perguntou mas eu respondo. Sobre a nova ortografia. Pô, no meu tempo de vida já passei por quatro reformas. Durante mais de dez anos combati (ou escrevi irresponsavelmente, vocês decidem) os famigerados “sinais diacríticos diferenciais”. Já enchi. Língua é a falada. A língua escrita, ortográfica, procura, mal e mal, registrar isso. Serve para normatizar, encinar os burocratas e escrever serto. Mas nada disso adianta quando a tevê Globo – língua falada – decide que o nome é Roráima e não Roraima, como sempre se disse aqui em casa. Agora então que acabaram com os acentos, a Globo ganha de goleada com seu Roráima escandido pelo Bonner pra 30 milhões de pedintes, perdão, ouvintes.


Escrever bem não tem nada a ver com ortografia. Basta você ver como escreve a maioria dos que escrevem ortografia perfeitamente, isto é, seguindo todas as regras. Mediocridade, quase sempre. Já Yeats, o grande poeta irlandês, um dos maiores do mundo, escrevia tudo errado ortográfica e gramaticalmente. Isso no tempo em que tudo era rimado e metrificado.

Repito, isso de escrever gramatical ou ortograficamente certo nada tem a ver com escrever bem. Tem a ver com sensibilidade em suas várias formas. O admirável Rubem Braga, uma perfeição de estilo, nos aconselhava sabiamente: “Quando você tiver uma dificuldade gramatical, não quebra a cabeça não. Dá uma voltinha”.

A que vem isso? A nada. Ou a tudo. Minha implicância com gramatiquismos e gramatiquices começa com a crase, que o poeta Ferreira Gullar diz que “não foi feita pra humilhar ninguém”. Tem razão: a crase foi feita pra humilhar todo mundo.

Por que todo mundo erra na crase? Já vi crase “errada” em placa de mármore de ministério. E estou vendo aqui, debaixo do meu nariz, na meia dúzia de quilômetros em volta das obras do Metrô, uma centena de cartazes da Odebrecht, a poderosa empreiteira, cheia de agrônomos, engenheiros, calculistas e, possivelmente, gramáticos: OBRAS A 100 metros, OBRAS À 250 metros. DESVIO a 200 metros. OBRAS à 300 metros. A Odebrecht emprega a crase por metragem.
Repito-me: por que todo mundo “erra” na crase? Uma regrinha idiota que qualquer idiota aprende num minuto. E esquece no minuto seguinte. Porque é artificial, inventada pelos gramáticos.
Exemplo? À bessa, que agora virou à beça (por quê?), era uma palavra só, abessa, que os sábios da escritura (Camões) dividiram em duas pra poder tascar a crase em cima de uma delas.

(fonte: Veja, 15 de julho, 2009)


terça-feira, 9 de outubro de 2012

A Valsa dos Adeuses, Milan Kundera

Trechos do livro A Valsa dos Adeuses (Cia das Letras, 2010), de Milan Kundera.



- Seduzir uma mulher – disse Bertlef descontente – está ao alcance do primeiro imbecil. Mas é preciso também saber romper; é nisso que se reconhece um homem maduro.
- Eu sei – confessou tristemente o trompetista –, mas para mim esta repugnância, este insuperável enjoo são mais fortes do que todas as boas intenções.
- Diga-me – exclamou Bertlef com surpresa –, será você um misógino?
- É o que dizem de mim.
- Mas como é possível? Você não parece nem impotente, nem homossexual.
- Certamente não sou nem uma coisa nem outra. É uma coisa muito pior – confessou melancolicamente o trompetista.– Amo minha mulher. É meu segredo erótico que a maioria das pessoas acha inteiramente incompreensível.
   Era uma confissão tão comovente que os dois homens fizeram um minuto de silêncio. Depois o trompetista continuou:
- Ninguém compreende, e minha mulher menos do que qualquer outra pessoa. Ela imagina que um grande amor nos faz renunciar às aventuras. Mas é um erro. Alguma coisa me empurra a todo momento para uma outra mulher; no entanto, a partir do momento em que a possuo, sou arrancado dela por uma poderosa mola que me lança para perto de Kamila. Algumas vezes tenho a impressão de que, se procuro outras mulheres, é unicamente por causa dessa mola, desse impulso e desse voo esplêndido (cheio de ternura, de desejo e de humildade) que me traz de volta para minha própria mulher, a quem amo cada vez mais depois de cada nova infidelidade.
- De modo que a enfermeira Ruzena  só foi para você a confirmação do seu amor monogâmico?
- Sim – disse o trompetista. – E uma confirmação extremamente agradável. Pois a enfermeira Ruzena tem um grande charme à primeira vista, e é também muito vantajoso que esse charme se esgote totalmente depois de duas horas, o que faz com que nada me anime a perseverar e que a mola me lance numa esplêndida trajetória de volta.
- Caro amigo, um amor excessivo é um amor culpado, e você é, sem dúvida, a melhor prova disso.
- Eu achava que meu amor por minha mulher era a única coisa boa que existia em mim.
E você estava enganado. O amor excessivo que você dedica à sua mulher não é o polo oposto e compensador da sua insensibilidade, ele é a sua razão mesma. Do momento em que sua mulher é tudo para você, todas as outras não são nada; melhor dizendo, para você, são putas. Mas é uma grande blasfêmia e um grande desprezo por criaturas de Deus. Meu caro amigo, essa espécie de amor é uma heresia.


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- Gostaria de pedir sua ajuda. Primeiro, queria saber se ela está realmente grávida. Talvez seja apenas um atraso. Ou ela está fazendo fita. Já me aconteceu uma vez. Também era uma loira.
- Nunca se deve começar nada com uma loira – disse o dr. Skreta.
- É – concordou Klima –, as loiras são minha perdição. Doutor, foi horrível da outra vez. Fiz com que ela fosse examinada por um médico. Só que, bem no começo de uma gravidez, ainda não se pode saber nada com certeza. Exigi que fizessem nela o teste do rato. Injeta-se urina numa ratazana, e se os ovários dela incharem...
 - A mulher está grávida... – completou o dr. Skreta.
Ela trouxe a urina de manhã num vidro, eu estava com ela, mas deixou o frasco cair na calçada em frente à policlínica. Me atirei sobre os cacos para salvar pelo menos algumas gotas! Quem me visse pensaria que ela havia deixado cair o vidro de propósito porque sabia que não estava grávida e queria prolongar o meu suplício o maior tempo possível.
- Comportamento típico de loira – disse o dr. Skreta sem se surpreender.
- Você acha que existe uma diferença entre as loiras e as morenas? – disse Bertlef, visivelmente cético em relação à experiência feminina do dr. Skreta.
- Acredito! – disse o dr. Skreta. – Os cabelos loiros e os cabelos pretos são os dois polos da natureza humana. Os cabelos pretos representam a virilidade, a coragem, a franqueza, a ação, enquanto os cabelos loiros simbolizam a feminilidade, a ternura, a fraqueza e a passividade. Portanto, uma loira é na realidade duplamente feminina. Uma princesa não pode deixar de ser loira. É também por essa razão que as mulheres, para serem femininas o máximo possível, pintam os cabelos de loiro e nunca de preto.
- Fico muito curioso em saber como é que os pigmentos exercem influência sobre a alma humana – disse Bertlef em tom interrogativo.
- Não se trata dos pigmentos. Uma loira se adapta inconscientemente a seus cabelos. Sobretudo se essa loira é uma morena que se tingiu de loira. Ela quer ser fiel à sua cor e se comporta como um ser frágil, como uma boneca frívola que exige ternura e serviços, galanteria e uma pensão alimentar, ela é incapaz de fazer o que quer que seja por conta própria, por fora toda delicadeza e por dentro toda grosseria. Se os cabelos pretos se tornassem uma moda universal, seguramente viveríamos melhor neste mundo. Seria a reforma social mais útil que se poderia fazer.


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Pode-se reconhecer os velhos pelo hábito de vangloriar-se de sofrimentos passados e de transformá-los num museu para o qual convidam visitantes.

domingo, 7 de outubro de 2012

Momentos Íntimos

Um dos meus passatempos prediletos em livrarias é fingir que minha profissão é "Avaliador de capas de livros". Tipo, "essa merece um prêmio, essa outra vai direto pro lixo reciclável". Mas sério, as capas que me chamam a atenção são justamente as boas e as muito ruins. Quando me deparo com alguma dessas, procuro logo o nome do capista. E depois de "avaliar" dezenas de capas, percebo que alguns nomes se repetem, para o bem ou para o mal.

Nunca encontrei qualquer exemplar da coleção Momentos Íntimos em livrarias, mas todas as capas dessa série são fantásticas. Fantasticamente bregas. Mas não para por aí. As sinopses das obras são mais inacreditáveis ainda. Abaixo reproduzo algumas capas e sinopses.

Amar, meu pecado
Um desejo incontrolável brilha nos olhos castanhos de Rafe Anaya. Indefesa naquele fim de mundo, Mary Margulies não tem a quem apelar. Ela é virgem. Nenhum homem já a tocou como faz agora esse fazendeiro diabólico: Rafe retira-lhe o vestido, a minúscula calcinha... Mary tem consciência de que sua intimidade vai ser invadida! Excitada, ela não pensa em mais nada. Rafe que a mate de prazer, agora!


A Noite do Pirata
Sedenta de amor, Amanda Yates não resiste ao forte apelo sensual de Royce Austin e entrega-se sem reservas a uma noite de ardente paixão. Esse homem, no entanto, é um inimigo implacável e carrega um perigoso desejo de vingança contra sua família, que o renegou no passado. Amanda não pode ser feliz ao lado de alguém que quer destruir sua paz. Mesmo que seja o homem capaz de lhe despertar as mais loucas sensações.






Ardente como um verão
Pequenas gotas de água brilham sobre a pele bronzeada de Lígia Kincaid, seu corpo gracioso coberto apenas por um minúsculo biquíni.  Num gesto lânguido, ela estende uma das pernas bem torneadas e solta o fecho do sutiã para que o sol lhe doure os seios arredondados. A poucos passos dali, Jake a observa  com um olhar de cobiça. Deseja aquela mulher e não resiste ao impulso de aproximar-se. Devagar, desliza os dedos pelas curvas macias, provocando nela gemidos de prazer. Pouco lhe importa que Lígia seja amante de seu irmão! Vai possuí-la agora, mesmo que depois tenha de se arrepender por isso...




Ilha dos deuses
No Maravilhoso cenário da Grécia, o destino tem uma surpresa para Cora ...Que loucura aquela noite ... Que loucura!Cora quase cede à tentação de tirar o minúsculo biquíni. Melhor não, pensa, não convém provocar os deuses...Com um suspiro de satisfação, deita-se na areia fina, ouvindo o murmúrio do mar sob o céu estrelado da ilha de Lesbos."Quieta!" A Ordem é dada em grego. Um susto, o choque, uma mão poderosa tapando-lhe a boca. Ela tenta livrar-se do braço que a agarra pela cintura.No instante seguinte, Cora está colada a um corpo musculoso. A lâmina de uma faca brilha ao luar...




Ilha do delfim dourado
NINA SABE QUE ESTE HOMEM VAI ENSINAR-LHE OS SEGREDOS DO AMOR!
OS OLHOS VERDES DE NICK REFLETEM ALÉM DO PERIGO, OS MISTÉRIOS DO MAR!
Presa nos braços de Nick, que a beija exigente, Nina não quer pensar; a única coisa que sabe é que algo de muito poderoso, belo e implacável existe entre os dois. Algo com que ela sempre sonhara, sem jamais ter a ousadia de experimentar. Nina, porém, sabe que a magia que vive pode acabar a qualquer momento. O homem que a acaricia, que a leva para um mundo de delírio, sonho e fantasia é um contrabandista audaz e perigoso, procurado pela polícia de nove países!



Ilha de todos os encantos
Dylan se aproxima de Elise e a desperta devagar. O momento pelo qual tanto ansiara está para acontecer. Ali, em mar aberto, tendo como cúmplice a lua e as estrelas, nada mais pode detê-lo. Os lábios de Dylan procuram os de Elise. O beijo é sôfrego, urgente. No instante seguinte, seus corpos se unem e se tornam um só. O balanço do barco os embala. Seus gritos de amor se perdem pela noite. Quando amanhecer, Dylan pensará no futuro incerto que o aguarda e se lembrará que a mulher que tem nos braços é a amante do seu mais ferrenho inimigo. Quando amanhecer. O momento agora é de entrega...

Caminho do paraíso
Alucinada, Nancy acaricia o peito musculoso de Eric, antes de deslizar as mãos até o zíper dos jeans, enlouquecendo-o de prazer. Excitados, perdidos num mundo de delícias, sequer imaginam o perigo que correm: o pequeno avião que Nancy pilotava pode explodir a qualquer momento. Indiferentes a tudo, os dois se entregam ao desejo que os consome. Para eles não interessa nem mesmo a morte. Só importa o intenso amor que os une.

A última chance
"Será que nós podemos conversar?"
Lara Taylor tem algumas perguntas no que se refere a homens. Por que eles não conversam a respeito de seus sentimentos? Por que nunca admitem que estão errados? Por que é tão difícil saber se os estamos agradando ou não?
Há algumas coisas que Travis Malloy também gostaria de saber sobre as mulheres. Por que elas são tão emotivas? Elas não percebem que os atos dizem mais do que as palavras? E desde quando fazer compras é um esporte?
Se os dois tivessem obtido as respostas a estas perguntas nove anos antes, talvez o casamento deles não tivesse terminado desastrosamente depois de apenas um ano. Lara e Travis eram perdidamente apaixonados um pelo outro, mas isto não foi suficiente. Houve desacertos desde o início. E ainda há. Mas chegou a hora de Lara e Travis começarem a conversar... porque esta é a última chance!



A segunda chance
Bonnie Jean tem a impressão de flutuar em meio a nuvens de prazer, ao sentir o peito musculoso de Carl. Moody roçando seus seios nus. 0 ressentimento que os separou durante tantos anos esvai-se com os gemidos de paixão... Ela vai pagar caro por ter se casado com outro, pensa Carl, enquanto a carrega para o sofá. Ele deseja Bonnie Jean como jamais desejou ninguém no mundo, mas a sua sede de vingança é mais forte que o amor!

Loucuras da paixão
Na suíte do luxuoso iate, Eva retira o vestido, ficando só de calcinha e sutiã, de renda preta. Escondido dos seguranças que o caçam, sem piedade, Raoul Girouard assiste a tudo, trêmulo de excitação e ciúme. Como impedir que a sua Eva se entregue ao pior inimigo que Raoul já teve? O canalha não quer apenas acabar com sua vida, mas também se apossar do maravilhoso corpo de sua amada! 


quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

A Ignorância - Milan Kundera

Trecho do livro A Ignorância, de Milan Kundera.


Como em todo domingo à noite, ela estava sozinha no seu modesto apartamento. Ela andou pela sala e comeu a mesma coisa que comera no almoço: queijo, manteiga, pão, cerveja. Vegetariana, ela está condenada a tal monotonia alimentar. Desde a sua estada no hospital da montanha, a carne lhe lembra que seu coprpo poderia ser fatiado e comido tão facilmente quanto o corpo de um bezerro.  Claro, as pessoas não comem carne humana, isso as aterrorizaria. Mas esse terror apenas confirma que um homem pode ser comido, engolido, transformado em excremento. E Milada sabe que o terror de ser comida é apenas o efeito de um outro terror mais geral que está na base de toda a vida: o terror de ser um corpo, de existir na forma corporal.

A week at the airport - Norwegian Wood

 Os livros de Haruki Murakami são repletos de citações da  cultura pop, com dezenas de nomes de escritores, livros, filmes, músicas, etc. Mas essa foi a primeira vez que vi um livro seu citado na obra de alguém.


Num pequeno trecho do livro A Week at the airport (Uma semana no aeroporto), do escritor Alain de Botton, Norwegian Wood aparece, coincidentemente num aeroporto, local da cena inicial do livro do japonês. Segue o trecho, em inglês:

Not far from the incautiously hopeful man, a pair of lovers were parting. She must have been  twenty-three, he a few years older. There was a copy of Haruki Murakami`s Norwegian Wood in her bag.  They both wore oversize sunglasses and had come of age in the period between SARS and swine flu. It was the intensity of their kiss that first attracted my attention, but what had seemed like passion from afar was revealed at closer range to be an unusual degree of devastation. She was shaking with sorrowful disbelief as he cradled her in his arms and stroked her wavy black hair, in which a clip shaped like a tulip had been fastened. Again and again, they looked into each other`s eyes and every time, as though made newly aware of the catastrophe about the befall  them, they would begin weeping once more.

domingo, 27 de novembro de 2011

Pôsteres Polones Parte 2

Continuando a série.
Simplesmente ainda não consegui entender como é que os pôsteres poloneses não são mais famosos. Selecionei apenas os de filmes, mas há também de óperas, concertos e teatro, todos na mesma linha. O que torna os de filmes americanos especiais é justamente a contraposição a seus originais, que seguem fórmulas banais e repetitivas. Outro aspecto que chama a atenção é o pequeno apelo comercial desses cartazes, pois muitas vezes transformam um simples filme de aventura ou uma comédia familiar em algo soturno e enigmático.

Desta vez, coloco também os cartazes originais, e abaixo as versões de artistas poloneses.

Depois de horas



Alphaville



Christine - o carro assassino



Fanny e Alexander




Maratona da Morte


 O rapaz e o cão 


 O filho de Godzilla


 Atos de vingança


 Alien o oitavo passageiro


 Flap


segunda-feira, 6 de junho de 2011

Frases de Filmes - Deu a Louca na Chapeuzinho

Há muito que os filmes infantis apresentam temas, piadas e referências que passam batidos para as crianças,por serem dirigidos ao público adulto. Um bom exemplo desses filmes é a animação Deu a Louca na Chapeuzinho, recheada de referências cinematográficas e de brincadeiras com clichês da linguagem narrativa. Pra começar, o filme toma emprestada a estrutura de Ram, de Akira Kurosawa, contando versões dos fatos a partir do ponto de vista de diferentes personagens. A própria capa do filme também remete à do Os Suspeitos. Enfim, apesar das inevitável humor slapstick das comédias infantis, o roteiro é bom e o filme vale a pena. Deixo aqui dois diálogos que anotei.


- Adoro meu trabalho! Viu como as coisas funcionam, Dolph? Você estabelece prioridades, metas, define seus objetivos. E você se pergunta: “Onde me vejo daqui a cinco anos?”
 - Que tal atrás das grades?



- Dolph, amarre a pirralha.
- Leza, segure o livro.
- Vincent, traga o caminhão.
- Keith, por favor, mude de nome. Não dá medo a ninguém e é constrangedor. “Boris”, experimente “Boris”. “Keith”, imagina: “Cuidado com o Keith!”.
- Você é louco
- Talvez.